BANG-BANGER – Bucetium

Um tiro que não saiu pela culatra

A banda hardcore Bucetium chega mais uma vez deixando a crítica de quatro. Esse trabalho elaborado a seis mãos, pelo vocalista Matt Cox, o baixista Dick Depp em parceria com a produtora Carmen Lynn, remonta sobre os antigos conceitos da banda. Há alguns anos a banda vinha sendo comida pelos especialistas, “era hora de pegar aquilo que a gente sabia que funcionava e por de pé novamente”, declara Cox. O lead singer se refere ao fato dos fãs botarem faz muito tempo a boca no trombone por causa do novo estilo aderido pela banda. “Realmente, Bucetium era um som que te pegava de jeito, mas com o passar dos últimos anos a banda ficou meio flácida e redundante. Agora dá até aquele arrepio de ouvir, você fica todo retesado, não tenha dúvidas” explica o crítico Blaw Jobs.

E, de fato, essa nova roupagem remetendo aos templos gloriosos trouxe novo gás em Bang-Banger. A pegada parece mais firme, os riffs mais longos e a batera vai tirar o sono de muitos Nick Macbrains por aí. Não só isso, a bassline segue mais grave, e o timbre dos vocais mais grosso. “Me tendo como parametro, reestabeleci o que a produtora nos tinha tirado. Gozado, achei que ia ficar na mão, mas não foi assim, a gravadora me deu carta branca. Aí pensei ‘há! agora é pau na maquina’” diz Dick, deixando a modéstia de lado.

De frente para o novo, mas correndo atrás do velho, Bucetium conseguiu colocar na boca da mídia seu último álbum. Com seus 22 minutos e 15 segundos a compridíssima Cock Tail já está na quinta posição da parada da Billboard. “Chegar à terceira base é o nosso objetivo, nosso som é quente” brinca a produtora Carmen Lynn, “Calma, rapazes! Sem trocadilhos maldosos, hein?!” completa a empresária em regojizo.

Playlist:

1. Behind and Beyond
2. From Dick
3. Quicky
4. Snoop Dog Style (ft. Snoop Dog)
5. Cum’ on!
6. Cock Tail
7. Just the Little Heads Know the Truth
8. Fish Ball Cat
9. You’re Jerk! (OFF!)
10. Triple X
11. The Missionary

Bonus track: Fire in the Hole (Counter Strike Theme)

⌐⌐

Ode(io) a Horácio, o cágado inclemente

 

se diz

 

Austero,

sisudo,

incorruptível.

 

Não enganas.

 

Há beligerância no teu semblante

esse cenho taciturno que acaricia o vento;

 

prazer no olhar.

 

Eu sei, Horácio,

sei que sabes,

só não o que sabes,

 

Mas sinto, Horácio meu,

a calmaria dos conformados,

dos desafortunados, malditos

já encomendados e alquebrados orgulhosos,

já viste o fim, desgraçado,

conhece a suprema sina,

guardião amaldiçoado,

escroque,

ao menos nos dê uma pista.

 

Nunca!

 

Nunca.

 

Nunca…

 

Austero,

sisudo,

incorruptível.

 

 

A mim,

melindroso.

 

 

 

 

(Ahhhh, que raiva!)

O Dissimulado

Londrina tenta trazer a primeira etapa rally on-road para o Brasil

A noite cai nas ruas do centro londrinense

A única competição de rally regularidade do Estado, a Copa Paraná, deixou Londrina de fora mais uma vez. Fato curioso, já que a cidade tem toda a infra estrutura para manter impávidas as erosões de suas ruas. Vistosos buracos – que abrigam desde um breu singelo à morada do Senhor das Trevas – se espalham como acnes indevidamente estouradas na face dessa nossa já não tão mocinha pequena Londres.

Um comitê em defesa da integração da cidade rubro-pédica vêm providenciado, desde então, a primeira etapa rally on-road do Brasil. Os organizadores trazem como principais argumentos o fato de o trajeto ser o primeiro do mundo a vir devidamente asfaltado, cumprindo as mais altas exigências de desafio e expertise dos pilotos. Interam o ânimo do atual prefeito, Barbosa Neto, em ajudar em tudo quanto possam alcançar a burocracia de seus braços, acalentando o coração dos fãs com a sua filosofia de não mover uma falange até que se cumpra a inclusão da cidade, “nem que leve mil anos”. E, por fim, os pés-vermelhos afirmam tornar a etapa muito mais competitiva, haja vista que os nativos, por natureza, apresentam perícia a dar inveja a qualquer Zé Hélio Rodrigues. “Ao me mudar pra cá, realmente não estava acostumada. Mas essa cidade ensina, aprendi minha lição e hoje tenho certeza estar apta a me inscrever para essa corrida” declara Dona Marta, 73, que se mudou para Av. Higienópolis há 23 anos, após ter como efêmera residência um buraco na Rio Branco, “fiquei lá por três dias”.

    Arquivo: resgate de Dona Marta

     

Dicionário da vida N-O

Nostalgia mórbida: sub, f. + adj.

Rubrica: sensações entomológicas.

1. Sentir falta do enlaçar dos dedos entre os cabelos enquanto pelas mãos de sua mãe eram retirados diligentemente os piolhos que, um a um, conheciam o poder das quelíceras estouradoras de bicheira, um verdadeiro moedor de anopluras banhado à sangue e esmalte Risqué vermelho ira.

Ex.:

“Mamãe sempre dizia ‘aí, meu deus, tá cheio de lêndeas’, ali, atrás de mim, como uma cuidadosa chimpanzé. E eu sempre perdia e expressão desenhada em seu rosto quando ela evocava essas doces palavras”.

Etimologia: Do Freud tardio, Psiquê, ψ.

Auto Retrato

 

 

 

Auto Retrato Mal-Falado

 

Elvira

Pô, mãe!

Barraquinhas de lanches contra o câncer de pele

    A revista Science Translational Medicine publicou nessa quarta (11/08) que a bactéria mais junk food do mundo também entrou na luta contra o câncer de pele. Salmonella typhimurium, junto com vários outros artistas, faz com que a proteína conexina 43 seja ativada novamente, uma vez que o câncer tende a degenerá-las. Através de bravios retumbantes de incentivos, typhimurium ativa novamente a proteína, fazendo o sistema imunológico reagir. Os testes inicialmente foram feitos em ratos, que mostraram resposta ao tratamento e já planejam um filme contado a história de superação de seus pares. “Acho que a imagem dos roedores ficou estigmatizada com as narrativas Ratatouille e Stwart Little, ou Dr. Dolittle. Temos muito mais a oferecer do que esse perfil estereotipado de fofos ou rufiões, acho que possuímos a profundidade artística cobrada por Gray’s Anatomy, por exemplo” declara Jeremy, a cobaia.

    E quem parecia já saber desse efeito salubre da Salmonela era o Tião da barraca de hot dogs Tião Lanches. Desde 1994 ele vem empregando a mais baixa tecnologia e tratamento sanitário a seus condimentos. Sua tenda, inclusive, é entusiasta de outras bactérias, como o Tétano e o Lúpulo. Mas as meninas, ou melhor, os meninos dos olhos de Tião são mesmo os coliformes fecais. Esses o chef carrega consigo como unha e carne, “fazem 16 anos que eu tô aqui e nunca ouvi uma reclamação dos meu sanduíche” [sic], afirma o cozinheiro que poupa não só na higiene, mas também na concordância nominal. O curioso fato de nem uma só alma ter voltado para reclamar talvez seja explicado pela localização do Tião Lanches. Ali, bem ao lado do cemitério, elas talvez tentassem, mas até hoje as únicas que passaram as paredes do campo-santo foram as baratas, frequentadoras assíduas e fãs do X-bagunça.

Domenicus Fabulosus

    Então levaste uma paulada na cabeça, sentiste ter ficado desacordado quando o sol e a lua se desencontraram por mais de uma vez, estaria completamente sem consciência, tampouco razão do dia da semana de nosso ano domini, não foste tu, domingo. Acordarias e, saibas, fosse este o domingo, tu saberias. Domingo tem o cheiro moroso de domingo, tem o tempo arrastado e ao mesmo tempo angustiante do domingo, e, pior de tudo – valha me! – domingo tem a noite de domingo. Aquela hora soturna que como uma capa preta cobre lentamente um homem ou uma mulher ou uma criança, quiçá um cão, com um medo de súbito que abraça o infeliz. Não há nada de errado, e alguma coisa não vai bem. 

    Talvez isso aconteça porque o homem supre-se da aurora do dia vindouro. Terça é mais quarta que terça, quinta é sexta, e quando finalmente chegais ao domingo, vislumbrais, por seus ombros cansados e macambúzios, a segunda. Ela está lá a espreita, como se trouxesse um ineditismo mórbido que não vai vir, o nada de novo denovo.

    Não obstante, existe ainda o maior de todos os emblemas do domingo, o estandarte do dia do Senhor, o arauto de Dies Domenica, a corneta de Prima Feira! É “FANTÁSTICO”!.

    Haviam de se lembrar os mais antigos, haviam de cantar os nossos ancestrais, haviam de estar vivos não malograssem a acústica reverberada das notas do apocalipse, o alpha e o ômega, som e fúria da melodia de abertura e encerramento da peça. Quantas almas ainda gemem nas florestas das hárpias, penando como árvores que choram ao ter seus dedos arrancados pela curiosidade de Dante. Antes tais dedos tivessem trocado o maldito canal e conhecido o “Topa Tudo por Dinheiro” ao invés do sétimo círculo do inferno, a casa dos suicidas. Como é?! Não te lembras dessa criação profana?! Então agüenta o crocito venenoso desse anhangá, tinhoso, coisa-ruim! Vade retro!

     

    Heis que o mistério se faz escurecido, de onde a lógica buscou luz e fez, assim como os dias do calendário, sumir o tempo que um homem de mente sã jurava estar ali lhe cobrindo a sorte? O que é dos 1 minuto 10 segundos desaparecidos? Por que, enfim, do fim desse número cabalístico? Que quer a nova vinheta? Manter-nos longe de uma empreitada contra nossa própria vida?

     

    Tarda! Posto que:

    Cê é chato pra caralho, “Fantástico”! Vai tomar no cu! Chato pra porra! Vai se foder!

    E tenho dito!

Escondidos pelas mãos, mas na boca do povo

“Somos todos palitos, braços dados ou não!”

Alguém

Bem aventurados aqueles que vêm a mim

    Pois serão recebidos com espiritualidade do falso interesse, do sorriso conquistador e da conversa mole. Com a paciência de ouvir só para ser escutado, fazendo-se estrategicamente misterioso. Vou olhar nos seus olhos, te fazer um ser único, protagonista de sua vida. Secretamente compartilhamos a verdade dessa situação não ser inédita, mas tudo bem, se digo isso a todos, você escuta o mesmo de muitos. Não vamos nos ater a esses detalhes. Segundo após segundo desse entreolhar, você tenta se lubridiar, dizer a si que não vai se deixar levar, vai me usar, vai vir aqui, tirar o melhor de mim e, quando lhe aprouver, me por na geladeira. Aviso desde já que o meu lugar é no armário, e digo também que, na sua usura, vai conhecer a minha. Vou querer você tanto quanto qualquer outro que mostre o peito aberto para o meu acalentador e oportuno abraço. Que venham a mim os tolos, mas principalmente os espertos, é dos primeiros que eu provim, e dos últimos que me alimento. Não adianta escapar agora, a sua libidinagem já consumiu minha volúpia, não me excito mais, apenas racionalizo, deixo você se divertir, sinta-se em casa, jante comigo, um festim guloso. Vou transcorrer sobre teatro, cinema, política, comportamento, música e livros. Sei que isso vai construir uma imagem intelectual e distante, só que não tem problema, não é? Os outros vão te invejar mais ainda. Tudo bem, dou um toque de descontração e inocência, falo sobre quadrinhos, e ainda me dou ao luxo de comentar inocumamente sobre computadores, coisa de homem, sabe? E fecho o teu baldo de conhecimentos tecnológicos discorrendo rapidamente sobre jogos. Você não gosta, mas acha bonitinho eu gostar, lembra do seu pai que até hoje tem o autorama ou qualquer outro trebelho juvenil guardado. Nesse ponto, você já está no ponto, sente a saciação, não, mais que isso, sente com a barriga cheia e os olhos pesados a tristeza do fartar. Tome-se dessa poltrona, deixa que ela te sugue, enquanto você descansa, dou-lhe um palito, você me põe na boca, mas não quer deixar ninguém ver. Ciúmes.
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